Apesar do show curto, Aerosmith
se despede do Brasil com excelência

Que me perdoem os demais estilos musicais, mas pra se lotar estádios e fazer multidões cantarem e se emocionarem por décadas a fio, não inventaram ainda algo mais consistente que o Rock and Roll. O rock não é apenas um estilo musical, mas sim um estilo de vida que está além das notas e melodias perfeitas. É atitude que está em jogo! O rock modificou os rumos do mundo, derrubou barreiras, interferiu diretamente em conflitos, escancarou as portas da liberdade sexual e impulsionou toda liberdade de expressão que hoje conhecemos e cultuamos.

Eu poderia ficar aqui listando inúmeros pontos altos deste movimento musical que, há mais de meio século, faz nosso esqueleto chacoalhar e nossa cabeça funcionar. O rock é terapia para a alma e esta impregnado na de todos, inclusive dos que dizem que não podem ouvir Satisfaction ou Johnny B. Good, mas que já saem rebolando por aí.

Já vi muito fã de sertanejo balbuciar que gosta de tudo, mas odeia rock, ignorando o fato de que sertanejo veio do country que é o primo caipira do rock e que ambos bebem da mesma fonte. O genial Hank Williams, pai do country, é idolatrado pelos roqueiros americanos. De onde acha que surgiu o primeiro rebolado que hoje bandas de axé e grupos de funk utilizam para ilustrar sua “música”? Do rock, claro.

Até os grupos de forró quando querem buscar um hit o que fazem? Uma (a) versão de um clássico do rock. E os mega espetáculos com som potente, leds, cenários megalomaníacos, etc…Tudo vêm de uma única escola, meninos: o bom e velho rock and roll. Os astros de rock são tão poderosos que mesmo os que já partiram para a outra dimensão, se tornaram imortais, lendas, ícones. Qual a explicação? Elvis, Jim Morrison, Hendrix, e até mesmo Cazuza, Raul e Renato Russo são até hoje idolatrados. E é impossível falar de rock e estádios lotados sem citar Aerosmith.

Crédito: Maurício Nunes

A banda dos Toxic Twins, Joe Perry e Steven Tyler, a maior banda de rock da América, já influenciou gerações e gerações de músicos. Viveram o céu e o inferno, o auge e o declínio, e tudo mais que você possa imaginar, e transformaram toda esta experiência em música contagiante. Aerosmith virou uma das maiores marcas de rock no planeta. Quantas bandas seriam capazes de participar do desenho dos Os Simpsons e até lançarem no mercado a bebida criada no desenho, o Moe Flamejante? A banda ainda teve a honra de ser a primeira da franquia Guitar Hero com apenas uma banda em destaque.

E como se não bastasse, os rapazes (ou senhores, como o leitor preferir) de Boston ainda têm em homenagem à banda uma montanha russa temática nos parques da Disney em Orlando e em Paris, a fantástica Rock ‘n’ Roller Coaster.  Estes sessentões trazem no peito mágoas e alegrias imensuráveis e deste material conseguem extrair canções românticas que embalam corações apaixonados e um rock and roll regado ao mais autêntico blues como primeira grandeza.

Tyler, indiscutivelmente um dos maiores cantores do mundo – além de incansável performer, costuma dizer que a vida é a viagem e não o destino, e neste domingo passado, 40 mil pessoas embarcaram na viagem desta locomotiva chamada Aerosmith.

Com vento de liberdade saindo da boca gigante de Tyler e soprando direto na milhares de faces sorridentes e extasiadas o Aerosmith fez mais um antológico show, mesmo com Tyler não estando em seus melhores dias em função de problemas de saúde que inclusive o fizeram cancelar o resto da turnê.  Ainda assim, um Tyler adoentado ainda é superior a muito Pop Star em perfeita forma física. A energia que exala do palco do Aerosmith é catarse  absoluta.

Crédito: Maurício Nunes

O set list é quase sempre sem riscos, como Stones e Kiss fazem há anos, mas quem se importa? Ali está o mais autêntico som da maior banda de rock da América. Só nos resta agradecer e se esbaldar com as estrepolias de Tyler, a perfeição do Mago Joe Perry e todo o apoio dos mais que talentosos Tom Hamilton, Brad Whitford e Joey Kramer. A banda abriu a noite com “Let the music do the talking” e realmente deixou a música falar nas quase duas horas a seguir passando por clássicos como Cryin’, Love in the elevator, Dude, Mama Kin, Rag Doll, Crazy, Sweet Emotion e ainda a balada mais ouvida mundo afora, a belíssima “Don’t Want to Miss a Thing”.

Teve cover de Beatles e o cover de Fleetwood Mac, “Stop MissiAround” já imortalizado na voz e na guitarra bluseira de Joe “Fucking” Perry. O bis, como sempre, teve as duas maiores obras primas da banda, “Dream on” e “Walk this Way”, a primeira com direito a Joe Perry tocando em cima do piano de Tyler e na segunda a velha e boa festa de sempre com chuva de papel picado, muita fumaça e aquela esperança de que, em breve, Aerosmith estará de volta.

Nossas orações à saúde de Tyler e ao desejo de que o Aerosmith dure por muitos e muitos anos!

Long live to AEROSMITH!

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