Em dois dias, perdemos dois grandes nomes de Hollywood: Martin Landau e George A. Romero

Muita gente acha que a carreira de Martin Landau, que faleceu em Los Angeles aos 89 anos de idade, se resume ao grande papel de sua vida como Ed Wood, pelo qual ganhou o Oscar. Ou que George A. Romero criou um novo gênero de terror e ficção-científica com A Noite dos Mortos-Vivos, em 1968. Duas afirmações bem corretas, com certeza.

Martin Landau, que foi colega na Actor’s Studio de Steve McQueen e James Dean, trabalhou em várias séries dramáticas no começo de sua carreira, até que seu jeito frio e calculista de interpretar o espião psicopata de Intriga Internacional (1959), dirigido por Alfred Hitchcock, abriu definitivamente as portas para Hollywood. De lá pra cá, ele foi o astro das cultuadas séries Missão: Impossível (1966) e Espaço 1999 (1975) ganhando o Globo de Ouro por Missão Impossível e indicado diversas vezes ao EMMY pela mesma série e por participar de Desaparecidos (Without a Trace), ao lado de Anthony La Paglia.

No cinema, depois de um período complicado em sua carreira e em sua vida pessoal (casado com Barbara Bain, sua companheira em Missão Impossível e Espaço 1999, de quem se divorciou em 1993), foi convidado para trabalhar com Francis Ford Coppolla em Tucker – Um Homem e seu Sonho, onde conseguiu sua primeira indicação ao Oscar (1988). No ano seguinte, conseguiu sua segunda indicação no filme de Woody Allen, Crimes e Pecados, e um definitivo Oscar pela sua brilhante desempenho como Bela Lugosi, no filme de Tim Burton, Ed Wood, de 1993.

Esteve no primeiro filme de Arquivo X, fez uma versão de Pinóquio para o cinema, e fez a voz do vilão da animação Frankenweennie. Mas no coração dos fãs, ele será o agente especial de mil caras de Missão:Impossível.

E quanto ao talentoso George A. Romero? Ele simplesmente reinventou o gênero zumbi, muito comum do cinema de terror americano, com essas criaturas das trevas se erguendo do túmulo para eliminar os humanos. Na visão de Romero, os mortos-vivos tinham que ter uma vontade maior do que simplesmente fazer uma vingança além-túmulo. E ai surgiu a ideia de quando voltavam à vida, eles precisavam de carne humana para continuar “vivendo”, e o resto da história a gente já sabe.

Ele escreveu e dirigiu o filme independente A Noite dos Mortos-Vivos, em 1968, estabelecendo o gênero mortos-vivos famintos por carne humana. Mas foi com seu segundo filme, O Despertar dos Mortos, em 1978, onde mostrava que para sobreviver ao apocalipse zumbi  (outro conceito surgido com os zumbis de Romero), era preciso ser criativo e não ter pena de deixar ninguém para trás, quando de um ataque em massa. Tinham exceções, claro.

Em 1981, ele dirigiria o nova Ed Harris no cultuado Cavaleiros de Aço, mostrando uma equipe de motoqueiros que viagem pelo interior americano, fazendo apresentações acrobáticas sobre duas rodas, como se fossem o Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Mesmo com o terror sendo seu gênero predileto, Romero ainda faria outras experiências inovadoras como em Instinto Fatal, mostrando um tetraplégico (Jason Beghe, de Chicago PD) sendo cuidado por uma treinadora, mas muito ciumenta, macaca. O final é arrepiante.

Na televisão, Romero produziu a série Tales from The Darkside (Galeria do Terror), em 1984, uma antologia com os mais assustadores e violentos contos de terror já adaptados para a televisão. Na realidade, Romero levou para a telinha algo que ele tinha feito em 1982, quando dirigiu Creepshow, uma antologia de terror com roteiro original de Stephen King. Seu ultimo trabalho na direção foi em 2009, com o filme A Ilha dos Mortos.

Dois nomes importantes de Hollywood…

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