Sofia Coppola tem sua melhor direção no longa
O Estranho Que Nós Amamos

1864, os Estados Unidos está a caminho do fim da Guerra Civil Americana e, em uma região isolada na Virgínia, a Srta. Martha (Nicole Kidman) mantém um internato de mulheres. A jovem Amy (Ooana Laurence), encontra um cabo da União machucado no bosque e resolve ajudá-lo. Aprisionado em um dos quartos, estas mulheres se encantam por seu charme, educação e respeito. Aparentemente amigável, John McBurney (Colin Farrell), passa a manipular cada moça da residência à seu favor. Até que um obscuro desejo sexual por ele afeta o comportamento das jovens.

O certo e o errado em 1864

Cristãs, estas mulheres seguem as regras e tarefas diárias do internato. Entre aulas de música, francês e bordado, há as responsabilidades com a casa, comida e agricultura. De vestes fechadas tecidas em panos claros, elas almejam sair do local, mas quase todas já estão sem esperança por uma vida melhor num cenário pós-guerra. Desiludidas e acomodadas à forma de viver nesta época, a presença de um homem atordoa e acorda os mais íntimos e lascivos sentimentos.

A grande problemática

O Estranho que Nós Amamos faz uma imersão no que é ser mulher em 1864,  no meio de uma guerra. Muito além da árdua tarefa de ter comida na mesa e não ter a casa atacada por homens em busca de satisfações sexuais, as jovens lidam com seus próprios desejos oprimidos. Dar banho, remédio, comida ou simplesmente conversar com o cabo galanteador, acende a chama de atitudes erráticas…para 1864. O que envolve a audiência é a forma como Coppola filma as diversas reações, respiros, olhares e ações das personagens em quanto cada uma se envolve com John. Sua direção é ardente sem ser explícita e mantém o foco de quem assiste do começo ao fim.

Feminina e não feminista

OREMOS por um filme que passa longe do assunto mais polêmico e deturpado da atualidade. A reviravolta do longa tem um alicerce poderoso que certamente será compreendido de forma errada por muitos. A decisão de uma personagem em específico comprova o poder da mulher sob o sexo oposto, não levanta a bandeira do feminismo e sim a do feminino. Admirem a virada de jogo do longa relembrando que se passa em 1864. Ok?

Vale a pena?

O Estranho Que Nós Amamos é um filme artístico, intenso e um dos trabalhos mais delicados de Sofia Coppola. Certamente um forte candidato ao Oscar 2018 e um dos melhores longas da diretora em termos de direção. Mesmo com uma cena bastante parecida com uma do longa O Jantar (1996), vale a pena ver um filme de guerra que não mostra a guerra. Uma excelente escolha para quem gosta de ter a imaginação provocada, algo bastante ausente nessa temporada de blockbusters.

O longa estreia dia 10 de agosto nos cinemas e conta também com Kirsten Dunst (Estrelas Além do Tempo) e Elle Fanning (Demônio de Neon) no elenco.

Küsses,

Comentários

ResumoA presença de um homem, da oposição em meia Guerra Civil Americana, atordoa o dia a dia de um internato de mulheres na Virgínia.
4.4
Critérios
Direção
Roteiro
Elenco
Produção / Fotografia
Enredo
O que observar:
  • Coppola abusa de um take onde uma jovem observa o horizonte (a guerra à distância) e não usa isso para nada no enredo.
  • A virada do personagem de Collin faltou um pouco de sutileza para gerar mais impacto. Porém, funciona!
  • Nicole Kidman arrasando como sempre.
  • Kirsten Dunst está magnífica. Dá até raiva.
  • Trilha Sonora acompanha o andar da história. Muito boa mesmo.
  • Melhor fotografia de Sofia Coppola em um filme.
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