O Destino de uma Nação retrata como Churchill
gritou “guerra” na cara do Hitler

De volta à Segunda Guerra Mundial, começamos 2018, cobrindo um Filme Chama Oscar™ que atende o pacote completo para levar o careca dourado para casa: história de época, personificação de uma figura pública polêmica, caracterização perfeita com próteses e maquiagens, direção impecável e Guerra Mundial II. O Destino de uma Nação conta como o Primeiro-Ministro Winston Churchill resolveu levar a Inglaterra à Guerra ao invés de assinar o tratado de paz.

De volta aos anos 40

10 de maio de 1940 foi um data marcante para os britânicos. Com a renúncia de Neville Chamberlain, aos 65 anos, Churchill assumiu o cargo de Primeiro-Ministro da Inglaterra. Conhecido por seus discursos memoráveis, o parlamentar não era muito fácil de se lidar. Considerado bélico demais, ele foi o político responsável por declarar Guerra contra os nazistas ao invés de assinar um tratado de paz, desejado por todos os parlamentares que o acompanhavam na época. No longa, temos um retrato do relacionamento do político com sua equipe, sua constante insistência em militarizar a Inglaterra e os demais parlamentares tentando derrubar seu poder.

O Destino de Uma Nação

O longa passa por um curto tempo da extensa história da Segunda Guerra Mundial e serve como mais uma obra de guerra. O trecho escolhido pelo roteirista Anthony McCarten (A Teoria de Tudo), nos leva à uma viagem no tempo para “conhecer” Churchill. Seus hábitos, dificuldade de fala e articulação das palavras, realmente impressionam na interpretação de Gary Oldman, mas a sua grande “cartada” de levar a Inglaterra à Guerra não é novidade alguma, nem tampouco trás revelações e/ou personas anônimas e interessantes que tenham participado do processo do Churchill apertar o botão vermelho para continuar na Guerra.

O longa cria a tensão sobre a decisão de Churchill levar ou não a Inglaterra à Guerra e, no ponto chave, que deveria ser épico e memorável, temos a interpretação de seu discurso mais marcante para a época e menos interessante para os dias de hoje. Eis a armadilha do Filme Chama Oscar™.

Mas funciona? 

Funciona com ressalvas. Churchill é o responsável pelo resgate de Dunquerque, tema do último filme de Christopher Nolan, Dunkirk, que é um dos melhores longas de 2017. Para quem não se lembra, mais de 300 mil soldados da Inglaterra e da França ficaram encurralados no norte da França em uma batalha que durou de 26 de maio à 4 de junho de 1940, e foi Churchill quem batizou a operação de Dínamo (nome de uma marca de ventilador – possível origem do famoso jargão “jogar merda no ventilador”) que resgatou esses soldados com a ajuda de veleiros de civis.

Polêmico por seus antecipados discursos de vitória e pelo bom relacionamento com o Presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, Churchill culminava a desavença entre seus opositores por não concordarem com suas afirmações de que “tudo estava bem” enquanto a guerra era uma ameaça iminente na Inglaterra. O longa trás toda essa fase do Primeiro-Ministro e ao mesmo que tempo que fascina, é um esquecível projeto por faltar emoção e peso de retratação histórica….Como Dunkirk, aquele filme que você sai do cinema conturbado.

Vale a pena?

Fãs de história e Guerra Mundial vão curtir sim. O filme é muito bem dirigido por Joe Wright (Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação, Anna Karenina) e a fotografia é de tirar o fôlego. O ritmo do filme é excelente e os diálogos são ricos. Mas ainda falta alguma coisa.

Wright cria cenas marcantes. Há breves momentos onde Churchill enxerga além da realidade, e o diretor brinca com peças em cena que caracterizam uma possível vulnerabilidade/medo do protagonista. Mas isso é usado duas vezes e deixado de lado. Momentos de Churchill, que nunca cozinhou na vida e vive como monarca desde sua infância, observando os ingleses andando nas ruas de uma cidade amedrontada pela presença da Guerra, são meticulosamente dirigidos para dar um tom teatral à diferença social. Wright sabe, como ninguém, compor o horror da Guerra sem mostrar uma bomba explodindo e com isso ganha pontos técnicos, por que a história em si, como já dito, não impressiona.

Já as cenas dos discursos no parlamento são impecáveis. Com sombras, luzes focadas e jogadas de câmeras que revelam os expectadores políticos e suas reações aos poucos, resultam em sequências magníficas visualmente falando. Parafraseando o longa: “Ele mobilizou a língua inglesa e mandou todos para guerra.” E só…FIM!

O Destino de uma Nação (Darkest Hour) estreia dia 11 de janeiro nos cinemas e, de novo, Gary Oldman está impecável. Vale a pena ver a atuação do recém vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Ator de Filme Drama e quem gosta de filmes do gênero não vai se decepcionar, só modere a expectativa.

Küsses,

Comentários

ResumoAlguém tinha que ser doida o suficiente para peitar o Hitler, né?
4.0
Critérios
Direção
Produção e Fotografia
Roteiro
Elenco (sem Gary Oldman)
Gary Oldman
Observações:
  • O elenco todo, tirando Oldman, é bom, mas poderia ser melhor.
  • Não há um segundo personagem marcante, o foco e exagero está 100% em cima do Gary Oldman.
  • Não é só maquiagem, há talento também. Você esquece quem é o ator por trás da maquiagem justamente por ele ser um excelente ator, tendeu?
  • Cena do Churchill no metrô vale todo filme!
  • Sentimos falta de Trilha Sonora, mas é um mero detalhe.
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