Não importa se é remake,
a história precisa ser bem contada

Em pleno 2017, o livro de Agatha Christie publicado em 1934, O Assassinato no Expresso do Oriente, ganha mais um remake – após dois filmes e uma série. Depois de tantos anos, a história já é mais do que conhecida e espera-se que, em uma nova adaptação cinematográfica, ao menos a história seja bem contada…O que não aconteceu.

O assassinato…

Para quem não conhece a trama e/ou não leu o livro, no longa acompanhamos o investigador Hercule Poirot (Kenneth Branagh – também diretor do filme) investigando a morte de Edward Ratchett (Johnny Depp), um dos passageiros abordo do Expresso do Oriente. O mistério é plantado quando Ratchett é assassinado após insistir que Poirot seja seu segurança particular. O mistério reina a bordo e todos são suspeitos, inclusive o próprio investigador.

E aí?

Vários personagens são apresentados de forma rápida na abertura do filme até o embarque no trem. O pouco tempo em tela, dificulta a empatia com a trama particular de cada um, que veem à tona quando o interrogatório começa a bordo. O longa tem uma história principal e uma secundária que conectam os passageiros ao assassinato. Ambas ficam confusas e as inserções dos flashbacks atrapalham, cortando o clima de mistério do longa.

Para piorar, Kenneth Branagh entrega uma versão exaustiva do investigador. Sua capacidade de dedução beira super-poder, sua arrogância e prepotência são características vindas do livro, mas aqui não repercutem como natural e não o tornam cativante. Somado ao seu TOC por simetria, Poirot é um personagem cansativo. A interpretação de Bragnagh força a paciência logo no começo do filme justamente pela direção – assinada pelo próprio ator, que dá muita ênfase em seu rosto e trejeitos.

Mas e aí?

E aí que O Assassinato no Expresso do Oriente é só uma pilha de holerites caros de um elenco de primeira. O filme, facilmente esquecível e zero marcante, não entra para o hall dos ‘bons reboots’, deixando a desejar como longa metragem mesmo.

Falta trilha sonora, falta trama, faltam personagens bem apresentados e uma conectividade por completa para, ao menos, a história ser BEM contada. Um dos elementos mais aguardados em remakes e adaptações de livros é a verossimilidade com a obra original, que até está presente aqui já que a resolução é a mesma, porém totalmente sem a vida que o cinema pode trazer por meio da dramaticidade. O longa não explora as possibilidades de brincar com a história original e não impacta por tentar inovar a trama.

No final da linha do trem…

O Assassinato no Expresso do Oriente é um longa que passará despercebido, talvez seja aclamado pelos fãs da autora mas, certamente, esquecido ao longo dos meses pela audiência padrão. E não, não vale uma pipocada de cinema, mas é uma boa opção para quando chegar em home vídeo/streaming para você assistir no conforto do seu lar e de seus chinelos.

Küsses,

Comentários

ResumoAlguém morreu a bordo....
1.9
Critérios
Direção
Elenco
Roteiro/Adaptação
Enredo
Produção / Fotografia
Observações:
  • Mega elenco para nada....
  • Mega produção para nada...
  • O livro é mais legal...
  • O filme é tão gelado quanto a neve que cai sob o trem...
  • Alguns personagens não funcionam....
  • Referência à Santa Ceia é a melhor cena...
Avaliação dos leitores: 9(0 Votos)
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