O Artista do Desastre é o fantástico relato por trás do filme mais icônico de nossos tempos

É impossível falar sobre O Artista do Desastre sem antes falar sobre The Room. Apesar de relativamente desconhecido no Brasil, o filme é um fenômeno e frequentemente considerado o Cidadão Kane dos filmes ruins. E é impossível falar sobre The Room sem explicar quem é Tommy Wiseau, o diretor/roteirista/produtor/estrela do longa. Algumas coisas que valem a pena saber:

  • Desde a estreia de The Room, por um bom tempo, ninguém sabia qual era a idade de Wiseau ou de onde ele veio. Seu sotaque vagamente europeu e sua aparência levantaram até teorias que ele seria um vampiro.
  • Inexplicavelmente, The Room custou 6 milhões de dólares e Wiseau pagou tudo por conta própria, inclusive divulgação e estreia do filme. Ninguém sabe como Tommy tem tanto tanto dinheiro. Algumas pessoas que trabalharam no filme suspeitam que o projeto foi um esquema de lavagem de dinheiro por algum sindicato criminoso do leste europeu.

Sobre o que é The Room? É muito simples. Johnny (Tommy Wiseau) é o seu típico herói americano. Ele trabalha no banco, ele tem longos cabelos negros, ele tem um sotaque que indica que nasceu em algum país dos Bálcãs e ele gosta de jogar futebol americano (que na sua concepção, envolve jogar a bola para outras pessoas em contextos absurdos). Ele é noivo de Lisa (Juliette Danielle) e juntos eles ajudam a cuidar de seu vizinho Denny (Philip Haldiman), seu típico jovem americano que tem entre 15 e 28 anos de idade e possivelmente algum problema mental não diagnosticado. Tudo vai ótimo na vida de Johnny, ele está prestes a ser promovido no banco e ele é rodeado de amigos que inexplicavelmente somem e ressurgem nas cenas.

O noivado de Johnny e Lisa começa a ruir quando ela decide ter um caso com Mark (Greg Sestero), o melhor amigo de Johnny. Além disso, Johnny precisa confrontar Chris-R, um traficante que ameaça Denny sobre dinheiro, o câncer de mama de Claudette (mãe da Lisa) e os desafios de jogar futebol americano usando black tie. Todo o filme remete a uma peça do Tennnesse Williams, se ele não fizesse a menor ideia de como escrever uma peça.

O Artista do Desastre

Em 2013, Greg Sestero, o ator coadjuvante que trabalhou no The Room e amigo de Tommy Wiseau escreveu um relato autobiográfico do filme chamado The Disaster Artist: My Life Inside The Room, the Greatest Bad Movie Ever Made. O livro foi um sucesso e, eventualmente, chegou nas mãos de James Franco que decidiu criar um versão cinematográfica.

O filme

Na trama, acompanhamos Greg (Dave Franco), um aspirante ator que conhece em uma de suas aulas de teatro Tommy (James Franco). Apesar da falta total de talento, Tommy é completamente autoconfiante e se joga nos papéis com uma emoção que encanta Greg. Juntos decidem se mudar para Los Angeles. Greg gradualmente consegue arrumar alguns trabalhos como ator, o que deixa Tommy extremamente invejoso após inúmeras rejeições. Prestes a desistir, ele decide escrever e produzir seu próprio filme: The Room.

Apesar de inexplicavelmente ter muito dinheiro, Tommy não faz a menor ideia como produzir, dirigir ou até mesmo atuar em um filme. Rapidamente, o longa se torna um pesadelo já que a “estrela” fica cada vez mais difícil de trabalhar. Os sentimentos de inveja e ressentimento, transformam Wiseau em um monstro, e o que atrasa a produção consideravelmente. Mesmo assim, Tommy persevera e eventualmente The Room ganha uma estreia e começa sua jornada rumo a fenômeno cult do cinema trash.

O veredito

Semelhante a Bingo – O Rei das Manhãs, O Artista do Desastre é uma narrativa que fascina tanto pelo que é capturado pelas câmeras, quanto pelos bastidores do projeto. As cenas mais icônicas de The Room são recriadas com perfeição cirúrgica, para logo serem complementadas com os olhares atônitos da equipe de produção enquanto Tommy Wiseau desafia toda a lógica e bom sentido no papel de protagonista. Mérito também de James Franco que completamente se desaparece no papel.

É uma verdadeira pena que The Room não é mais conhecido no Brasil. Parece que de uns anos para cá a arte de apreciar ironicamente um filme trash se perdeu para uma audiência e críticos cada vez menos capazes de se divertir com o perfeitamente ruim. Se você tiver a oportunidade de assistir esta obra, veja antes de O Artista do Desastre. De certa forma, ambos se complementam de uma forma bizarramente intrigante.

O Artista do Desastre estreia dia 25 de Janeiro nos cinemas.

Até a próxima!

Comentários

ResumoOH HAI MARK!
4.9
Critérios
Direção
Roteiro
Elenco
Enredo
Observações:
  • O número de participações especiais em pontas é francamente assustador.
  • É uma pena que a cena da floricultura foi recriada sem o delay bizarro de audio.
  • A icônica cena do "OH HAI MARK" é ainda mais incrível quando você descobre quantos takes levou para "aperfeiçoa-la".
Observações:
  • Fiquem de olho porque tem cena pós-crédito!
  • "Os resultados chegaram, é câncer das mamas."
Avaliação dos leitores: 0(0 Votos)
Dê sua nota