Kingsman: O Círculo Dourado não consegue
processar a escala do seu próprio roteiro

Kingsman: O Serviço Secreto foi uma das grandes surpresas recentes para o cinema. Com um roteiro divertido, cenas de ação marcantes, um elenco excelente e uma inteligência rara para aplicar a narrativa upstairs/downstairs ao gênero de espionagem, o filme foi um sucesso certeiro. Sua continuação, Kingsman: O Círculo Dourado, apesar, de tentar manter o espírito anárquico de seu antecessor, acaba não conseguindo acertar a fórmula tão bem.

O Círculo Dourado

Conheça o Círculo Dourado, o maior cartel de drogas do planeta. Esta ordem secreta é liderada por Poppy Adams (Julianne Moore), uma psicótica vilã cuja personalidade vive na intersecção da sua tia no WhatsApp e uma versão sociopata da Betty Crocker. Ela vive em sua base secreta, uma réplica de uma cidade americana a la Loucuras de Verão no meio de uma ruína no Camboja cercada por capangas e robôs assassinos.

O fim da Kingsman?

Eggsy (Taron Egerton) e Roxy (Sophie Cookson) descobrem as primeiras pistas sobre a organização misteriosa o que faz o Círculo Dourado prontamente atacar destruindo toda a estrutura da Kingsman. Os poucos, sobreviventes são obrigados a procurar ajuda de “seus primos do outro lado do lago”, a Statesman, a versão americana do serviço secreto. Aliados aos Statesman, nosso herói começa a descobrir mais sobre o Círculo Dourado e um plano maléfico é revelado.

Muita coisa em pouco tempo

Eis que entra o maior problema de Kingsman: O Círculo Dourado: o roteiro simplesmente quer fazer tudo ao mesmo tempo e cria uma narrativa exaustiva. Assim como muitas comédias, a continuação tenta fazer algo semelhante ao original, porém maior. E aqui o filme entra em colapso com seu próprio peso. Temos a introdução dos Statesman, o retorno de Harry Hart, o relacionamento amoroso de Eggsy, a introdução do Círculo Dourado, o plano da vilã que precisaria de mais tempo em tela, a volta de um antagonista do primeiro longa, e diversas outras pequenas tramas.

Só o plano da vilã por si só precisaria de mais tempo em tela. Não porque a premissa é complicada, mas pela temática por trás. Kingsman não é exatamente a franquia mais sutil do cinema quando aborda temas políticos. Enquanto o primeiro flertava levemente com uma desconfiança do setor tecnológico, o segundo transforma o governo americano em um vilão surpresa, vangloria o livre mercado (a Statesman não só é uma corporação bilionária, mas também mostram que constantemente monitoram a Casa Branca e isto é mostrado como um ato heroico) e cria um ode ao anarco-capitalismo que faria a própria Ayn Rand pedir para maneirar no histrionismo.

A ambiguidade moral, e chamamos de ambiguidade porque no centro da trama todos se comportam como sociopatas, até seria interessante se não fosse o cansado malabarismo de inúmeros elementos no roteiro que tiram o foco do que deveria ser uma história com bem menos linguiça.

Mas e a ação?

A ação continua excelente. Matthew Vaughn tem um olhar único para misturar carnificina com um ar de diversão e em Kingsman: O Circulo Dourado ele continua tão afiado quanto sempre. Algumas decisões questionáveis que, pra variar, pesam também no visual, são problemáticas, como para o filme constantemente para revelar como a tecnologia de espionagem funciona e um certo popstar septuagenário que inexplicavelmente luta que nem John Wick.

Vale a pena?

Apesar de não ter o mesmo impacto de O Serviço Secreto, Kingsman: O Círculo Dourado consegue, entre trancos e barrancos, manter o espírito maníaco da série, introduzir alguns personagens novos e colocar Julianne Moore em um dos papéis mais sensacionais de vilã dos últimos tempos. É uma pena que o filme sofre de um olho maior que a boca e não consegue digerir tudo que se propõe a fazer.

Kingsman: O Círculo Dourado estreia 21 de Setembro.

Até a próxima!

Comentários

ResumoPara derrotar o misterioso Círculo Dourado, a Kingsman precisa unir forças com a Statesman, a organização de espiões americana.
3.3
Critérios
Direção
Elenco
Roteiro
Enredo
Observações:
  • O elenco, apesar de cheio de atores famosos, não oferece muito para a maioria fazer.
  • O momento "este personagem é o traidor" não faz absolutamente nenhum sentido.
  • É interessante ver, da mesma forma que a Kingsman brinca com heróis britânicos, ver o que a Statesman faz com os americanos.
Avaliação dos leitores: 0(0 Votos)
Dê sua nota