A Pumpkins United World Tour do Helloween reúne
Michael Kiske, Kai Hansen e Andi Deris

E a nova turnê mundial do Helloween traz uma surpresa muito especial para os fãs. Pela primeira vez, em décadas, Michael Kiske e Kai Hansen voltaram ao palco para a Pumpkins United World Tour. O setlist é bem distribuído com um pouco de cada época da história da banda (menos Pink Bubbles Go Ape e Chameleon, por razões assustadoramente óbvias).

O show abriu com a Halloween, com Kiske e Deris dividindo responsabilidades no vocal. A performance ao longo do show é bem arrumadinha com Kiske tocando as músicas de sua época e Deris as dele. É claro que um vocal entra para preencher o som com backing vocals, mas não abusam. Fica comportadinho, seria uma boa oportunidade para a banda arriscar nos arranjos. Até porque, Hansen raramente sobe nos microfones ao longo da noite. Na sequencia, entra Dr. Stein e I’m Alive. A abertura é de Kiske e a banda decide celebrar a fase clássica do Keeper of the Seven Keys Parte 1 e 2.

Chega a vez de Deris que mergulha na fase “pesada” da banda com If I Could Fly do The Dark Ride e Are You Metal? do fantástico 7 Sinners. Depois, volta para Keepers com Rise and Fall. É complicado celebrar a fase Kiske da banda. Por um lado, ele foi o vocal em dois dos álbuns mais celebrados da história do Helloween, por um outro lado, ele sempre quis produzir material com mais apelo comercial, e foi o grande responsável pelos dois maiores fracassos comerciais e críticos da banda, então por ora, toda vez que o carecão precisa subir no palco, pode esperar algo do Keepers.

A cronologia avança até o Straight Out of Hell com Waiting for the Thunder, uma música que funciona muito bem ao vivo. O set volta um  pouco no tempo e Deris entra com a divertidíssima Perfect Gentleman (uma das músicas que seria interessante ver com Kiske liderando os vocais). Encerrado Perfect, é a vez de Hansen assumir os vocais. Ele lidera um medley de diversas músicas do Walls of Jericho com partes de Starlight, Heavy Metal is the Law e Murderer, entre outras. Esta parte o show sofreu um pouco com quedas de energia. A primeira queda foi até cômica, porque o retorno da banda continuou funcionando então Hansen seguiu desimpedido tocando o medley (confirmando minha teoria que ele é um robô construído por cientistas alemães para produzir todo o Power Metal do país). Duas quedas depois, a banda finalizou a coletânea.

Na sequencia, entra um dos trechos mais mal planejados do set. Deris volta ao palco e solta a Forever and One (Neverland) e logo depois Kiske manda a A Tale That Wasn’t Right. Entendo que são vocalistas diferentes, mas que raios de show emenda duas baladas? Até o Whitesnake evita fazer um faux pas desses… Pelo menos entra I Can depois, o Better Than Raw marcando presença no set.

Momento bonito no show, para celebrar o legado de Ingo Schwichtenberg, que foi o primeiro baterista do Helloween e que tragicamente tomou a própria vida, o batera atual, Daniel Löble  fazendo um solo acompanhando Ingo no vídeo. Momento bem bacana e seria interessante futuros shows da turnê do Pumpkins United investir mais nesse tipo de homenagem.

De volta ao Keepers com A Little Time e de volta ao Master of the Rings com a dobradinha de Why? e Sole Survivor. Depois, entra um dos momentos mais esperados, Power começa a tocar e a platéia vem abaixo, é uma das músicas mais empolgantes da banda de um dos melhores álbuns (que foi tragicamente pouco usado no set). E finalmente, o show fecha com How Many Tears, dando oportunidade para Hansen voltar ao vocal.

No bis, o set do Pumpkins United precisa de melhorias. O bis abre com a esperadíssima Eagle Fly Free, o clássico definitivo da fase Keepers e, na sequencia, a banda emenda com Keeper of the Seven Keys na íntegra. Foram 13 minutos onde era nítido o desinteresse crescendo na plateia, é a típica música para fone de ouvido, ela é longa, repetitiva e não tem aquela energia para um set ao vivo. Se fosse realmente um must ter uma música das mais longas, Mission Motherland é mil vezes mais marcante. Depois, o Helloween fechou o bis com Future World e I Want Out. Fazendo um bis inteiro em cima de Keepers of the Seven Keys foi uma jogada arriscada e deixou o bis um pouco morno.

De qualquer forma, depois da longa e conturbada história do Helloween os músicos deixarem de lado as diferenças para lançar a Pumpkins United foi uma jogada de mestre. Para qualquer fã de Power Metal, o show serviu como uma espécie de aula de história dos avós do gênero. Montei no Spotify uma playlist com o set tocado, exceto Waiting for the Thunder porque este álbum não está disponível por algum motivo.

Vale lembrar que a banda se apresentou em São Paulo nos dias 28 e 29 de outubro e ambos os shows foram gravados. Em breve o DVD será lançado.

Até a próxima!

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