O Síndrome de Casamento Vermelho
está piorando em Game of Thrones

Game of Thrones – T07E03 – “The Queen’s Justice”

Game of Thrones apela para o Síndrome de Casamento Vermelho toda vez que o roteiro é fraco. Pense em todos os episódios onde a narrativa é monótona, exceto um grande momento esperado por fãs. Naturalmente, as redes sociais estarão em polvorosas mas, no geral, é uma trama insossa. O terceiro episódio da sétima temporada reúne Jon Snow e Daenerys Targaryen, o que alguns acreditam ser o Gelo e Fogo da profecia do/a príncipe prometido/a. Vamos analisar alguns problemas temáticos.

O Lobo e o Dragão

Na trama de ASOIF, existe uma profecia que fala sobre a Canção de Gelo e Fogo. Apesar de vagamente definida e pouco abordada, ela é uma parte crucial da mitologia em torno do Príncipe Prometido. Muitos candidatos já surgiram na trama, mas os mais propensos a provocarem uma reunião do Gelo e do Fogo são Jon e Dany (apesar de alguns analistas acreditarem que a profecia na verdade fala de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark).

Tematicamente, existem semelhanças na jornada dos dois. Ambos são rejeitados pelas suas respectivas famílias até se tornarem o último membro de ambas (no caso de Jon, até um certo ponto ele é o último “Stark” homem). Os dois não almejam o poder, porém relutantemente vão escalando para posições de liderança. Ao contrário da maior parte dos personagens que estão no jogo, eles contemplam o fardo do poder e o peso de suas responsabilidades. Tanto Dany quanto Jon estão vinculados à ideia de ressurreição, as ações da Kahleesi trouxeram os dragões de volta ao mundo e Jon é o único ser no norte que voltou à vida livre da maldição do Rei da Noite.

Tudo isto, sem desconsiderar que Jon Snow é o fruto de uma “música de Gelo e Fogo” quando Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen se apaixonaram e trouxeram ao mundo uma criança. A segunda cabeça do dragão, conforme a visão na Casa dos Imortais. O encontro de ambos, no mínimo, deveria ser uma reunião trovejante…

Porém…

Os capítulos da Daenerys não são os favoritos de ninguém. Ela é completamente removida da complexa trama de Westeros, boa parte dos personagens têm nomes confusos e o ritmo é praticamente inexistente. Ainda assim, por trás desta zona, existe uma das poucas personagens que genuinamente parece se importar com seus súditos (existe uma sutil tendência de GRRM em caracterizar como os piores personagens aqueles que ignoram a necessidade do povo). A relutância de Dany em tomar decisões moralmente questionáveis, como reabrir as Arenas de Luta, vêm de uma mistura de falta de experiência e um grupo de conselheiros com interesses pessoais. Em Game of Thrones, ela é uma espécie de versão medieval do Rorschach de Watchmen. Uma pessoa propensa ao vigilantismo e uma visão preto e branco das coisas.

Seu encontro com Jon Snow é repleto de uma arrogância e falta de pragmatismo que já se tornou característico dos grandes gestos da personagem, mas algo que deveria ser mitigado pelos conselhos de Tyrion (graças aos Sete que ele consegue amenizar ânimos para um relacionamento mais produtivo). Existem fortes chances de Daenerys terminar como a antagonista final da trama, gradualmente consumida pela loucura dos Targaryens. Caso isso for verdade, a postura dela neste episódio é o foreshadowing mais preguiçoso até agora.

Série é série, livro é livro

A esta altura do campeonato, é mais do que óbvio que GRRM entregou aos produtores apenas a linha geral dos eventos que ocorrerão nos próximos livros. É notável a queda na complexidade dos personagens e da trama, a ambiguidade moral que tornou todo o elenco tão fascinante foi substituída por um maniqueísmo cansado, as movimentações e impacto de um continente inteiro em guerra mal é notável e grandes momentos são resolvidos de forma rápida e eficiente, apenas para levar a audiência ao próximo diálogo onde um personagem se vinga do próximo. Infelizmente, os roteiristas não assimilam que o que torna As Crônicas de Gelo e Fogo umas das obras de fantasia mais marcantes do gênero não é a violência, mas sim a complexidade emocional dos personagens.

Ver Cersei torturando as conspiradoras de Dorne, que mataram sua filha, faria sentido no livro, visto que vemos uma personagem amarga após décadas de falta de liberdade e vítima do jogo político instigado por Tywin Lannister. Na série, parece que os produtores estavam mais interessados em fazer as redes sociais comemorarem que a saga de Dorne teve mais um fim violento para zombar da adaptação medíocre que a região passou para Game of Thrones.

O reencontro de Bran com Sansa foi interessante, mas poderia ser melhor. Os personagens estão afastados há anos, existe um certo senso de urgência na missão de Bran como o Corvo de Três Olhos, mas o roteiro o força a ser deliberadamente enigmático para não revelar muito rapidamente. Ficou estranho.

Ainda existem grandes momentos pela frente, mas ficará a sensação que eles não serão tão satisfatórios quanto deveriam ser.

Até a próxima!


REGRAS:

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  4. Aceitaremos respostas até às 18h00 de 31/07/2017. (Encerrado)
  5. Até as 23h30 vamos divulgar aqui no post a relação dos competidores e seus pontos.
  6. Vence quem tiver mais pontos no final da exibição da temporada. Serão 3 (três) perguntas toda semana. Sempre às segundas.
  7. O vencedores ganhará um mega kit de Game of Thrones. Tem até alguns POP! Funko dos personagens. Em breve divulgaremos o prêmio completo.
  8. Boa sorte!

Comentários

ResumoGelo e Fogo se reunem em Game of Thrones.
2.8
Critérios
Direção
Roteiro
Enredo
Elenco
Observações:
  • Foi um momento interessante quando Jon afirma "não ser um Stark" para Vyserion imediatamente sobrevoar. Uma brincadeira visual que indica sua herança verdadeira.
  • Jorah está de volta, vamos ver onde isso vai dar.
  • Bran se tornou o Corvo de Três Olhos, ele não pode explicar o que é, mas ele pode brincar de Mestre dos Magos.
Avaliação dos leitores: 5.9(2 Votos)
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