Círculo de Fogo: A Revolta expande a mitologia,
mas sacrifica a criatividade visual de seu antecessor

Antes de começarmos a crítica:

“首先,我要感谢中国人让一部新环太平洋电影取得成功。 谢谢。”

Se você adorou o primeiro Círculo de Fogo, dirigido por Guillermo del Toro, agradeça os chineses por ganharmos uma continuação. O filme teve uma recepção morna nas bilheterias até chegar na terra do dragão, onde foi um sucesso tão grande que produtoras chinesas co-produziram Círculo de Fogo: A Revolta com Steven S. DeKnight na direção (isso provavelmente vai terminar com a gente tendo que ver Warcraft 2, então contenham o entusiasmo…).

10 anos após Círculo de Fogo

Passou-se uma década após os eventos de Círculo de Fogo. Jake Pentecost (John Boyega) é o filho do lendário Stacker Pentecost (Idris Elba). Ao invés de seguir nos passos do paizão, Jake abandonou o programa Jaeger para viver uma vida de crime nas regiões abandonadas. Ele conhece uma jovem prodígio chamada Amara (Cailee Spaeny) e sob apelos de sua irmã adotiva Mako Mori (Rinko Kikuchi), retorna ao Shatterdome para treinar a próxima geração de pilotos de robô gigante.

Jake reencontra seu antigo parceiro, Nate Lambert (Scott Eastwood), um piloto de Jaeger feito do material genético de todo protagonista de FPS dos últimos 10 anos. O emprego de ambos pode estar com os dias contados, já que uma empresa chinesa liderada por Liwen Shao (Tian Jing) desenvolveu um modelo de Jaegers que não depende de pilotos humanos e funcionam como drones. Tudo isto vai por água abaixo quando descobre-se que um personagem do filme anterior está conspirando com os Percussores, a raça que criou os Kaijus para novamente trazer os monstrengos para a nossa dimensão e aniquilar a raça humana.

Círculo de Fogo: A Revolta

Ao contrário de tentar repetir a trama do primeiro longa, a continuação expande significativamente a mitologia e enredo deste universo. Talvez, um pouco mais que o tempo de duração do longa aguente sustentar. DeKnight, acostumado com a produção de séries como Demolidor e Spartacus, parece esquecer o quanto de informação cabe em um filme.

A influência chinesa na continuação é clara. Ao contrário do primeiro longa onde mostrava-se que o programa Jaeger era uma empreitada de todas as nações do círculo do oceano Pacífico, aqui aprendemos que 10 anos depois, a China se tornou a maior inovadora do mercado de robôs gigantes espancadores de Kaiju. É claro que os “excessos capitalistas” do setor privado acabam causando alguns problemas, mas nada que o nobre e bondoso governo chinês não ajude a colocar de volta no trajeto correto pelo bem maior da população. Até mesmo a jornada do protagonista Jake envolve deixar de lado o comportamento individualista yankee para aprender a trabalhar melhor em equipe pelo bem maior do coletivo.

Sem Del Toro

Algumas coisas ficam nítidas com a ausência de Del Toro. Apesar da história ser mais interessante na continuação, o filme sofre um pouco no departamento visual. Longe das luzes de neon em contraste com o céu da noite, DeKnight filma quase todas as batalhas na luz do dia. O visual dos novos personagens está longe de ser tão marcante quanto o primeiro filme, deixando-os menos com cara de anime e até mesmo os Jaegers estão mais difíceis de diferenciar. Nada que impeça o divertimento, até porque mesmo com a perda dos elementos visuais mais fantasiosos, o diretor decidiu fazer os gigantescos robôs mais rápidos, aumentando o caos das batalhas consideravelmente.

No fim

E no fim, Círculo de Fogo continua sendo a melhor adaptação live action de um anime que nunca existiu (ou quase, leia adiante). Círculo de Fogo: A Revolta provocou um pouco de… revolta… de alguns críticos porque Guillermo del Toro deixou de lado a produção e inevitavelmente isto vai atrair comparações tendenciosas. Ainda mais vencendo o Oscar… Assistam sem dó, este filme é perfeitamente divertido como filme de pipoca.

Até a próxima!

P.S.: Sabemos que o primeiro Círculo de Fogo atraiu algumas comparações com Neon Genesis Evangelion. Abaixo elencamos todas as semelhanças do novo filme com a série de anime da Gainax. Naturalmente, SPOILER ALERT.

Tudo de Evangelion em Círculo de Fogo 2
  1. Um Jaeger bad-ass é possuído pela entidade inimiga e ataca os heróis. Que nem o Eva-03 no Episódio 18.
  2. Um suposto aliado na verdade é o inimigo que assumiu uma forma humana para destruir a operação dos heróis por dentro. Assim como o Kaworu no episódio 24.
  3. Um conjunto de robôs brancos pilotados via tecnologia Drone sofrem uma metamorfose e juntos criam o início de um cataclisma. Como os EVA Dummy System de The End of Evangelion.
  4. Descobre-se que o plano dos Kaijus é se fundirem ao Monte Fuji para criar um evento apocalíptico. É semelhante a como os Anjos querem se fundir a Adam para causar o Terceiro Impacto e eliminar a raça humana.
  5. O sangue dos Kaijus é fundamental para o desenvolvimento de novas tecnologias de Jaeger. Da mesma forma que o sangue de Lilith é utilizado nos tanques de EVA para facilitar a integração neural com os pilotos.


Comentários

ResumoOs chineses adoraram Círculo de Fogo, por isso ganhamos a continuação. Lembre-se de agradecê-los.
4.2
Critérios
Direção
Roteiro
Enredo
Elenco
Observações:
  • Para fãs de Del Toro, não se preocupem, este filme também tem "romance inter-espécies".
  • Saber Athena tem uma pegadinha meio Patlabor né não?
  • O chicote de energia do Guardian Bravo é quase, quase, quase uma espada Gundam.
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