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Muita magia, efeitos fantásticos e aventuras!
Nova trupe em busca de problemas e prontos para salvar o dia!

Apertem os cintos! Potterhead na área! Texto em primeira pessoa de leitora, de fã, de crítica. De pessoa que ama mergulhar nos livros que lê e sim, já criei uma fanfic mental para viver as aventuras em Hogwarts! #semmedodeserfeliz

A bola da vez não poderia deixar de ser o universo que embasa Animais Fantásticos e Onde Habitam! O novo filme está aqui mas, antes, vou fazer uma retrospectiva potterhead, ok? Mas vou adiantar: Animais Fantásticos é lindo, arrepia e… Leia mais para descobrir!

De onde saiu esse Newt Scamander?

Harry Potter, o menino que sobreviveu e que se você não conhece ou nunca ouviu falar deve ter vivido em uma caverna pelos últimos 16 anos – no mínimo, usou um livro bem “simpático” em sua fase escolar na melhor e mais divertida escola de magia e bruxaria do mundo: HOGWARTS! Lá, você tem uma Floresta Proibida onde moram criaturas estranhas e pode perder a vida se adentrar em seus limites, mas é para lá que te mandam em detenção depois de ter feito arte, tem um andar isolado de todos com um simpático cão de três cabeças, uma câmara secreta construída por um dos fundadores lelé da cuca e racista com um baita de um basilisco gigante, que já andou pelo castelo umas duas vezes tocando o terror, já mandaram Dementadores (simpáticas criaturas que se alimentam da felicidade alheia e que sugam almas se se empolgam) caçar Sirius Black, tem também uma árvore meio da pá virada que se você chega perto RÁ! Te dá um belo de um sai pra lá… Já foi palco do Torneio Tribuxo, onde é super normal alguém morrer (e mesmo sabendo dos riscos um monte de gente se inscreve), e que precisaram delimitar a idade no ano em que Potter participou por conta dos problemas, o que indica que antes não tinha faixa etária. Ou os britânicos são loucos ou tudo bem mandar crianças em tarefas bem, digamos… Mortais. E não vamos esquecer do quadribol, o esporte mais popular da bruxandade, de onde já saíram jogadores com concussão, ossos quebrados, bolas assassinas que amam te acertar de propósito (balaços) e não importa se há chuva torrencial ou Dementadores rondando: sempre teremos nosso lindo quadribol!

Segundo Rúbeo Hagrid, não há lugar mais seguro do que Hogwarts. E é seguro, se tirar tudo isso acima e alguns professores infiltrados que vira e mexe tentam matar alunos.

Mesmo assim…

… Hogwarts faz parte do desejo de grande parte da população mundial, incluindo euzinha aqui. Pensa na frustração ao chegar aos 11 anos e nada de cartinha…

No terceiro ano de Harry Potter – e o Prizoneiro de Azkaban -, Harry estuda criaturas mágicas. Um dos livros didáticos é de Newt Scamander, um especialista em animais fantásticos. Em idos de 2000, a versão didática chegou às livrarias e pudemos ver mais sobre isso. Depois da onda de sorte que a franquia Harry Potter sempre teve, a bola da vez é criar um roteiro totalmente novo que, ao mesmo tempo, resgata ícones clássicos do anterior, entrega novas informações e revitaliza a série com as aventuras de Newt Scamander.

E qual o motivo de tanto sucesso?

Antes de termos filmes, tivemos livros. Livros para crianças, mas sem figuras. O que? Como assim? Harry Potter não é aquele livro bonitinho e engraçadinho com uma história rimada e figuras complementares. É um enredo complexo, com tragédia, com problemas, com amor, com aventuras e muita, mas muita, falta de sorte, hahaha. Existem palavras difíceis no meio do texto, construções atípicas em livros juvenis, palavras inventadas e nenhuma imagem de apoio. E isso desde o primeiro título, Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Eu acredito que o que mais chamou a atenção e fez sucesso foi o modo como tudo foi construído. É plausível. É possível crescer no mesmo ritmo que Harry. Eu cresci. Minha mãe me deu uma degustação de Harry Potter e o Cálice de Fogo quando eu era uma criança de 10 anos, um pouco solitária. Amei e ela começou a comprar desde o primeiro título para mim. Quando tinha 11 anos a tal carta não chegou, mas vieram os filmes. E mais livros. E, conforme Harry passava de ano e de aventura, eu ia junto. Isso se chama identificação. Mesmo sendo bruxos, mesmo estando em outro país e continente, Harry, Rony e Hermione eram crianças e adolescentes com comportamentos universais.

Aprendi junto com eles. Morro de vontade de ler livros que são citados por Hermione. De andar pelos corredores de Hogwarts, visitar Hogsmead e comer doces malucos na Dedosdemel. Parte de mim já fez tudo isso e eu vou novamente sempre que leio algo relacionado à série.

Resumindo: somos capazes de nos transportar para as páginas de Harry Potter, de nos identificar com os personagens, amar, odiar (como a vaca rosa Dolores Umbrigde), de aprender valores como amizade, amor, lealdade, confiança, a não julgar e que somos mais complexos do que os olhos podem ver inicialmente.

E sempre termos um vilão para odiar. Ah, como é bom saber quem é o vilão! Mesmo quando ele acaba não sendo o vilão no final das contas, é bom saber quem é o algoz. A motivação central, mesmo que depois descubramos que existe mais coisa ali e que nem sempre pessoas boas fazem coisas boas o tempo todo. Mostra que temos o bem e o mal dentro de nós e sim, vamos fazer merda vez ou outra. Harry vive fazendo cagada. Por que somos humanos e humanos fazem isso mesmo. Essa construção é uma beleza e tivemos espaço para tal: sete livros. Oito filmes.

E mesmo sendo voltado para o público infantil os adultos também entraram no ritmo. São conceitos universais capazes de encantar qualquer faixa etária. São conflitos reais, mesmo que em um cenário extraordinário. Tem elementos de Tolkien, um autor totalmente voltado para adultos (tirando O Hobbit, que era originalmente um conto de ninar, mas mesmo assim cheio de aventuras), tem uma pitada de Agatha Christie, com mistérios para resolver e pistas disparadas homeopaticamente para o leitor tentar adivinhar o final. Como a linguagem não é infantilizada, não repele outros de lerem e serem potterheads. E, por isso, creio eu, sempre temos novos leitores, de 10, 15, 20, 30, 50 anos.

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Depois dessa sentimental explanação sobre Harry Potter, é a hora de falarmos de Animais Fantásticos e Onde Habitam.

AI MEU CORAÇÃO! Finalmente assisti. A data da cabine de imprensa chegou, começa o suadouro. Já tinham divulgam a trilha sonora, mais arrepios! E agora imagina a situação da criança!

Fui de coração aberto e sem expectativas. Já estou calejada em esperar algo bom e quebrar a cara, então preferi ir bem de “buenas”. O veredicto? É bom sim! Tem problemas? Tem. Mas depois da jovem Lilian Potter de olhos castanhos, alguns erros de continuísmo são até esperados, hahaha. E acho que posso perdoar.

A premissa é simples: Newt Scamander chega em Nova York com uma mala repleta de criaturas fantásticas coletadas depois de anos de viagens e estudos. Mas, se na Londres de Potter os bruxos permanecem sempre em completo sigilo em meados da década de 1990, a Nova York da década de 20 é mais complicada, ainda com possíveis perseguições e guerra, se os nomaj (os trouxas e sempre chamarei de trouxas), descobrirem sobre os bruxos, a tensão é quase palpável. No “ministério” americano, chamado de Macusa, encontramos um tipo de relógio/termômetro que indica em que pé está o risco de exposição.

Scamander conhece o trouxa Jacob, um aspirante a padeiro super carismático que, sem querer, acaba entrando no mundo mágico de paraquedas. Tina Goldstein assume a tarefa de trazer ambos à justiça – um por portar animais ilegalmente e outro por saber mais do que deveria. O cenário nova iorquino é tenso e com regras rígidas como não poder criar nenhum animal, não poder falar com trouxas, não poder casar com trouxas, contato zero, uma política bem rígida e muitos obliviate. Para quem não lembra, esse é o feitiço que apaga memórias.

O chabu já começa antes mesmo que Newt desembarque do navio. Uma criatura destrói um prédio e metade de uma rua. E depois, mais umas criaturas escapam da maleta já conhecida graças aos trailers. Somos apresentados a bichinhos fofos, outros nem tanto, um encrenqueiro que ama coisas brilhantes e se metendo em confusões, um bichão grande, outro maior ainda. Dentre cenas fantásticas dentro da mala de Scamander, um visual impecável dos anos 20, figurinos lindos, ambientação bacana e atuações bem legais, os efeitos especiais são de tirar de o fôlego. Vi a exibição em 3D em uma sala IMAX e digo: vale a pena.

Voltando: temos o Mr. Graves, o chefe dos aurores (meio que a polícia mágica nos States e encarregados de perseguir bruxos das trevas na Inglaterra), com segundas intenções. Talvez terceiras também. Picquery, a presidente dos bruxos (equivalente ao Ministro da Magia), responsável por rebaixar Tina ao setor de licenças de varinha. Vamos descobrir o motivo mais para a frente, mas só tenho a dizer: a mulher é linha dura. Também somos apresentados à irmã de Tina, Queenie, uma mocinha que é mais do que um rostinho bonito.

E um novo grupo é formado, dessa vez um quarteto: Newt, Tina, Queenie e Jacob. É interessante ter um trouxa no meio (ok, nomaj). O mesmo digo daqueles que acreditam que bruxas existem, os The Second Salemers, a rotina que raramente foi mostrada em Harry Potter em seus oito filmes. Esse elemento é bem interessante. Onde antes era certo desprezo (sangue ruim), agora é medo de serem descobertos.

Outro ponto bem legal é mais histórico e remete diretamente aos livros originais: o pré-Voldemort, Gerardo Grindewald. Para quem não sabe, Grindewald era amigo de Dumbledore (que na juventude não era flor que se cheirasse) e queria reunir as Relíquias da Morte e dominar o mundo bruxo. Aqui, Voldemort ainda não tinha nascido. Era o nome de Gerardo que gelava os corações de medo.

Porém, temos alguns problemas no paraíso.

O roteiro começa bem, mas depois fica um pouco confuso. Todo o tempo que tivemos antes para a construção de personagens e história, puf! Temos apenas duas horas e pouco. Onde tudo era sobre animais fugindo da maleta temos também uma fumaça preta e bizarra, um Ezra Miller torturado e um plano de fundo confuso sobre a exposição bruxa. E temos alguns erros de continuísmo. E mais alguns erros no roteiro. É um filme bom? Gzuis, sim. Não há dúvida disso. Eu me diverti, dei risadas, gostei das atuações, gostei dos efeitos… É um filme para fãs. Justamente por isso acho que Rowling presumiu demais o conhecimento prévio do público. Presumiu que todos conhecem Grindewald, que ele usava as Relíquias da Morte como símbolo e o que ele pretendia quando iniciou tudo. Funciona mesmo para quem morou na caverna ou não é fã? Funciona. Críticos vão perdoar? Pouco provável.

Não consegui me conectar com o Newt de Eddie Redmayne. Não curti a atuação dele, que não compareceu como protagonista. Queenie roubou a cena. Jacob mais ainda. Até Graves! Alguns elementos e revelações foram desnecessários, mas não posso falar, já que configura spoiler. E, assim como nos livros, uma pista que deixaria Agatha Christie se revirando no túmulo é dada. Eu captei a mensagem. Quem mais vai captar?

Como fã, não acho que nada disso desabona o resultado de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Não mesmo. Vemos problemas também nos oito filmes de Harry Potter e nem por isso podemos dizer que não foram bons. Todo o tempo falam de Lilian Potter e seus olhos verdes. E aí aparece uma Lily Evans e BAM! Ela tem olhos castanhos. Nem para mudar digitalmente. E esse é só um exemplo de erro, tiveram outros.

Animais Fantásticos e Onde Habitam é bom sim, só não é perfeito. O roteiro precisa ser melhorado e, como é o primeiro de J.K. Rowling, podemos colocar na conta de erros de principiante. Temos muitas cenas dentro da maleta que podiam ter sido editadas, podiam ter concentrado a trama nos animais e nem tanto em Grindewald (pista, não spoiler), e poupado algumas revelações para o próximo filme.

E mais: até então seriam aventuras de Scamander, mas acho que teremos mais fatores históricos da guerra de Grindewald e não sei onde esse título se encaixará. É esperar para ver.

De novo: como fã estou gritando histericamente, tremendo e torcendo ansiosa para os próximos filmes! E livros, por que não? Sonhar não paga.

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