Cloud AtlasA Viagem (título brasileiro traduzido da forma mais preguiçosa e desinteressada possível de Cloud Atlas em inglês) é a adaptação cinematográfica do romance homônimo de David Mitchell e dirigido pelos Lana e Andy Wachowski (Matrix, Speed Racer) e Tom Tykwer (Corra Lola, Corra).

O filme certamente está entre os mais ambiciosos já produzidos, contando seis histórias simultâneas em diferentes épocas da história da humanidade e cada uma narrada em um gênero cinematográfico diferente. Apesar das temáticas e estilos distintos, as ideias exploradas pelo filme são únicas e permeiam entre as seis histórias, amor e ódio, sacrifício, dever, escravidão e rebelião.

Para facilitar a leitura, as histórias são:

  • Um drama histórico no Sul do Pacífico em 1849 sobre escravidão, conflitos raciais e preconceito. A história de um jovem que faz uma travessia perigosa no oceano em com um contrato de compra de escravos e revê seus conceitos quando faz amizade com um jovem marinheiro Maori.
  • Um romance de época na Escócia em 1936 sobre um jovem compositor em busca de fama que busca trabalhar sob a tutela de um compositor consagrado e sofre os preconceitos da época devido à sua posição na sociedade e sua opção sexual.
  • Um thriller político em São Fransisco em 1973 sobre uma jornalista investigando uma nova Usina Nuclear na cidade e desvendando uma grande conspiração no melhor estilo de Síndrome da China ou A Trama.
  • Uma comédia pastelão na Inglaterra em 2012 sobre um velho e neurótico editor de livros que tem que fugir de um asilo de idosos depois de um terrível engano.
  • Uma história de ação e ficção científica em Neo-Seoul (Coréia do Sul) em 2144 sobre uma resistência subterrânea batalhando para libertar clones escravizados de uma empresa de fast food.
  • E finalmente, uma história pós-apocalíptica no Havaí em 2321 onde a sociedade regrediu para níveis tribais, com a exceção dos Prescientes, a população negra com tecnologia extremamente avançada.

O poder do balanço cármico e as força das emoções humanas estão presentes na narrativa, e de forma muito rápida, as histórias alternam entre si dando uma certa universalidade dos conceitos básicos. Como por exemplo, um velho atrapalhado que tem uma história peculiar sua adaptada para o cinema e uma única frase deste filme provoca pessoas em uma época futura a buscar melhorias em suas vidas. As histórias são amarradas juntas através de elementos narrativos (um diário, cartas, filmes, de uma época que são vistos na próxima época).

De forma geral, o filme mostra as conseqüências da passividade diante do mal, a fuga do dever tanto no amor quanto na justiça. Como um singelo gesto pode afetar milhares e como um gesto antes disto pode influenciar o indivíduo certo. Nas palavras de uma personagem do filme ”

A cinematografia do filme é fantástica e certas cenas são de tirar o fôlego, (destaques para a o segmento da Coréia do Sul futurista). O filme também é rico em referências narrativas de outras obras e até em breves momentos tira sarro de si mesmo.

O grande destaque do filme é seu elenco relativamente pequeno que faz diferentes papéis em cada história, muitas vezes trocando o sexo, etnia e cor de pele dos atores. Apesar de ser muito interessante esta troca de papéis, o papel que cada ator exerce também é fundamental para ligar a temática de uma história na outra.

Com certeza, é o tipo de filme que convida você a assisti-lo diversas vezes e discutir sobre o que foi visto. De qualquer forma, é um filme bom e no mínimo, visualmente impressionante. Altamente recomendado!

Até a próxima!

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