Com exceção de Sofia Boutella, praticamente nada funciona em A Múmia

Recentemente, a Universal Pictures anunciou que ia ressuscitar da cripta os lendários monstros da Universal em um universo compartilhado que irá se chamar Dark Universe. Além de fazer pobres críticos escreverem frases com todas as variedades da palavra “universo” possíveis, a ideia destes longas seria trazer para uma nova geração estas criaturas tão famosas. Começamos com A Múmia

… que não é um bom começo…

A Múmia conta a história de Nick Morton (Tom Cruise), um soldado de reconhecimento de longa distância do exército americano que rouba artefatos históricos de zonas de guerra para vender no mercado negro que é condecorado e ao mesmo tempo avaliado negativamente pelo exército. (Ufa!) Ele encontra no Iraque uma tumba egípcia da princesa Ahmanet (Sofia Boutella). Ela é uma múmia de cinco mil anos que desperta e faz coisas de múmia.

O B.O. todo gira em torno de um ritual que Ahmanet precisa compartilhar. Seus poderes vem de um pacto com Set, o deus da morte egípcio (o Gerard Butler em Deuses do Egito), e ela deseja sacrificar um homem para trazer seu mozão divino para o mundo dos vivos. Como o ritual deu xabu cinco mil anos atrás, agora ela quer fazer isso com Nick. Ele conta com a ajuda de Jenny (Annabelle Wallis), uma arqueóloga que explica o filme em momentos aleatórios.

Monitorando a baderna toda, temos a organização secreta Prodigium, liderada por Henry Jekyll (Russell Crowe). O papel da Monarch é capturar e estudar criaturas malignas sobrenaturais. Já que Nick está amaldiçoado, a S.H.I.E.L.D. pretende destruí-lo antes que Ahmanet complete o ritual. Jenny faz parte da ARGUS, mas eventualmente se alia com Nick porque mulheres neste tipo de filme só servem para seguir o protagonista.

Saudades de 1999

A última adaptação da criatura nos cinemas foi no longa A Múmia de 1999, que transformou a história de terror em um filme de aventura de época. Era um filme extremamente divertido na veia de Indiana Jones com excelentes personagens, um vilão genuinamente assustador e uma protagonista feminina complexa e elaborada. Muitas pessoas têm uma certa cisma com o filme devido à presença de Brendan Fraser no elenco, mas o rapaz manda bem. Esta nova versão realmente nos faz sentir saudades daquela aventura dos anos 90.

Não tem muito o que ajuda. O roteiro é uma verdadeira colcha de retalhos, o personagem de Russell Crowe é introduzido duas vezes no filme, mostrando que o prólogo provavelmente foi gravado em pós-produção. Sua segunda introdução é dirigida de forma a manter o personagem misterioso até o momento em que Nick fica de cara a cara com o médico/monstro, mesmo ele já aparecendo antes dos créditos. Personagens contam com diálogos expositórios e forçados. Um general literalmente explica para o personagem de Tom Cruise quem é o personagem de Tom Cruise. Jenny interrompe o filme para contar a origem da vilã, com a mesma cena que foi narrada no início do filme onde Russell Crowe conta a origem… da vilã.

Todos e nenhum gênero

A Múmia não consegue se comprometer com nenhum gênero específico. Um problema que tem se tornado recorrente em filmes de terror. O longa começa como uma aventura, flerta um pouco com terror e termina como um filme de super herói. Tom Cruise tenta ser o canalha irredimível, o ladrão honroso, o monstro com coração de outro e o Capitão America interpretado por Chris Pratt simultaneamente. Uma grande salada de elementos com ideais que raramente aterrizam e tornam o longa extremamente esquecível.

Com exceção de Sofia Boutella, que sempre dá um show e o visual de Ahmanet ficou bacana, não tem muita coisa que salve A Múmia. O Dark Universe promete uma experiência interconectada, mais um para a sempre crescente lista de universos cinematográficos. Tomara que aprendam a lição. Não basta anunciar com anos de antecedência um projeto ambicioso sem ter ao menos uma noção de que tipo de filme querem fazer.

E caramba… a versão de ’99 teve até um começo de universo compartilhado com o spinoff do Escorpião Rei com o Dwayne Johnson em um dos seus primeiros papéis no cinema. Aqui é #teamimhotep rapá.

Até a próxima!

Comentários

ResumoConfuso quanto ao seu próprio gênero, A Múmia sofre de roteiro preguiçoso, premissa genérica e direção fraca.
2.0
Critérios
Direção
Roteiro
Elenco
Enredo
Observações:
  • Tem um pequeno easter egg que relembra A Múmia dos anos 90. Deu saudades...
  • Sofia Boutella merece papéis melhores. Imagina ela como Tróia em Mulher-Maravilha 2?
  • Porque todo universo compartilhado precisa de uma agência secreta?
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