A Forma da Água recebeu 13 indicações ao Oscar 2018,
mas será que vale a pena?

Depois de muito pensar, finalmente conseguimos chegar a um parecer final: A Forma da Água é superestimado e está longe de ser uma das melhores obras de Guillermo del Toro. O longa, que estreia dia 1º de fevereiro no Brasil, conta a história de amor entre uma humana e um monstro aquático em meio à corrida bélica entre EUA e a Rússia em plena Guerra Fria. Mesmo com um visual deslumbrante, uma criatura intrigante e uma protagonista envolvente, o longa peca ao investir numa trama já conhecida por todos que assistiram Splash – Uma Sereia em Minha Vida (1984), A Bela e a Fera (1994) e King Kong (1933).

A Forma da Água…e do amor

Elisa (Sally Hawkins) é zeladora em um laboratório secreto do governo americano. Responsável pela faxina do local de madrugada, um dia ela conhece uma misteriosa criatura que é mantida em cativeiro. Torturado pelo chefe da segurança Richard (Michael Shannon), Elisa, já afeiçoada pelo monstro, bola um plano de fuga e conta com a ajuda de Zelda (Octavia Spencer) e de seu vizinho Giles (Richard Jenkins). A ideia, a princípio maluca, de sequestrar o monstro para o soltar no mar posteriormente, surge após a muda Elisa conseguir se comunicar com a criatura que corresponde à jovem sendo amável e mostrando que é capaz de compreender a linguagem humana por meio de gestos.

Tá, mas e daí?

O grande problema do filme são suas inúmeras pontas abertas. A começar pelo personagem de Jenkins que tinha potencial para ser mais importante. O ator interpreta um cartunista sem espaço no mercado, pois as campanhas publicitárias passaram a ser substituídas por fotografias. Seu talento como desenhista só serve para que ele registre o monstro no papel no tempo em que ele fica escondido na residência de Elisa.

Outro ponto é a personagem de Spencer que, por ser uma mulher negra submissa à um casamento machista, tem sua causa pouco trabalhada em tela, dando voz à Zelda em um breve momento onde ela toma coragem de ajudar Elisa e de se ausentar de suas tarefas caseiras em prol da amiga. Mas a questão aparece em tela literalmente só para constar.

Para piorar, Shannon está exagerado como o segurança racista, machista e controlador. E todas as suas cenas de ódio e raiva ganham a tela com takes próximos ao seu rosto para intensificar para a audiência que ele é o vilão. Só falta uma nota de rodapé.

E para fechar, sim, temos um quarto ponto, o mostro é interessante enquanto submerso no tanque do laboratório. Quando ele ganha espaço para andar, como um humano, seu visual perde a graça e seus movimentos deixam de ser bestiais para ganhar uma apresentação mais humana que “converse” com o relacionamento que terá com Elisa.

Falando em relacionamento…

O roteiro de del Touro não poupa a audiência de detalhes e peca nas sutilezas. Elisa é apresentada como uma mulher sexualmente ativa logo na abertura do longa, de uma forma bem desnecessária para a trama – e longe de nós de sermos moralistas, ok? – e ao ter relações com o monstro, temos alguns detalhes contados por ela para Zelda que simplesmente quebram o clima de romance. O diretor até tenta restabelecer a tensão sexual com uma belíssima cena onde Elisa alaga seu banheiro para nadar com a criatura, mas a imagem da moça contando para a melhor amiga o que já havia rolado fica na mente do espectador.

A Forma da Água não tem forma…

Analisando como obra, de temática já conhecida por nós por outros filmes – como os citados acima – esta trama pede delicadeza e um tom mais lúdico. O imaginário é pouco provocado na audiência, o longa não trabalha bem a estrutura do romance e peca ao tentar se firmar no “quem ama o feio, bonito lhe parece” ou ao querer explorar uma narrativa rica sobre amar uma criatura que não seja “compatível” com um humano. Há inúmeras formas de amor e o longa ainda é um drama romântico. E quando chegamos ao final da trama, tudo o que pensamos era: “Tá, mas e daí?”. Temos um flerte com um desfecho tipo o da Pequena Sereia e nessa miscelânea de possíveis referências, A Forma da Água naufraga.

Vale a pena?

Pelo visual do longa, fotografia, trilha sonora e atuações de Sally Hawkins e Richard Jenkins, ambos indicados ao Oscar 2018, vale sim. Mas, sinceramente, este longa será mais uma obra esquecida do diretor e passará em branco em termos de roteiro e bem longe de ser memorável pelo público. Mas vai que a gente erra nesta aposta, né?

Küsses,

PS.: Michael Stuhlbarg estrela três filmes que estão no Oscar: Me Chame Pelo Seu Nome, A Forma da Água e The Post: A Guerra Secreta. Memorizem esse nome, pois sua versatilidade de atuação vale ser registrada. Que ator impecável.

Comentários

ResumoElisa se apaixona por uma criatura aquática....
2.9
Critérios
Direção
Elenco
Roteiro
Produção / Fotografia
Observações:
  • Sally Hawkins oferta uma boa atuação, mas somente uma cena é verdadeiramente impactante.
  • Michael Shannon tem uma motivação estranha e mal explicada.
  • Richard Jenkins é amigo de Elisa há anos, mas faltam detalhes dessa relação para entendermos a amizade dos dois.
  • Faltam detalhes....del Toro deixa o filme muito aberto em vários momentos.
  • O que era para ser poético, pode ser compreendido como tedioso.
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