Hoje falo como Lady Freak, na primeira pessoa mesmo, pois o tema é muito pessoal. Eu acompanhei diariamente os desfiles do Fashion Rio, edição de Verão 2014 e particularmente nada tinha me surpreendido até me deparar com as imagens do desfile da Reserva.

Para começo de conversa, o Fashion Rio não possui  muita relevância ou influência para mim em termos de moda, é nítido que o grupo de estilistas participantes de um SPFW ousam mais do que as marcas que lá desfilam, talvez o que chega às lojas a partir do Fashion Rio seja mais comercial em comparação com os grandes desafios que vemos nas passarelas de São Paulo. Se fosse comparar, Fashio Rio seria um evento intermediário entre as pirações de uma Casa dos Criadores e  SPFW o qual eu realmente levo a sério . Mas opiniões pessoais a parte, moda é moda, o que vale é focar nas tendências e tentar deduzir o que logo virará modinha nas principais prateleiras do Fast Fashion.

Dentro de uma estrutura de desfile, em termos cinematográficos, muitos estilistas ousam com formas e cores, jogos de luz, bandas ao vivo, totens com videos, interpretações, bonecos, bexigas, enfim, já vi acontecer de tudo nos 10 minutos de apresentação, porém sem tirar o foco das roupas, certo? Pois é, se isso fosse um paradigma, a marca Reserva acaba de quebrá-lo.

Na frente de uma coleção clichê, sem sal e totalmente básica eles desfilaram fantasias compradas na “lodjinha” da 25 de Março. Pasme, mas fantasias de palhaços  super-heróis e cangaceiros foram penduradas à frente da coleção de Verão da Marca através de um grande cabide. Se ser modelo é ser um cabide para os estilistas, a Reserva definitivamente frisou isso na passarela. Com um conceito de “O Homem por trás da Moda”, o estilista escondeu suas criações com fantasias de R$ 30,00, na tentativa de repercutir um protesto, deixando totalmente de lado a assinatura artística e responsabilidade de criação quando se tem espaço em um evento de moda de prestígio.

Estamos em uma fase do consumo onde fica evidente a adaptação das grandes marcas para o popular, a democratização da moda está em constante ascensão e não se tem mais a divisão entre “eu consumo isso” e “aquela pessoa aquilo”. Um exemplo atual é a calça listrada P&B que saiu da passarela de verão 2013 de Marc Jacobs para todas as lojas de departamento do Brasil.

Ótimo, voltando ao desfile da Reserva, porque, caramba, em um momento como este do mercado, a marca resolveu protestar? É muito contraditório porque afinal o lema da marca é “Roupas de Verdade para Pessoas de Verdade!”. O  que não justifica a decisão de cobrir a nova coleção com fantasias baratas! Certo ou errado? Acredito que no fim eles conseguiram atenção, mas a repercussão do que foi desfilado ficou em segundo plano por trás das modelagens da tia Martinha para o Carnaval de rua. Perderam a oportunidade de explorar o lema de forma concisa dando espaço para críticas focadas no vazio. De que forma a Reserva contribuirá para as modinhas popularizadas? Talvez através da fantasia de Arlequim ou do Superman #Fail.

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Küsses,
Lady Freak

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